Meros devaneios tolos (Parte II)

Eram vinte horas e trinta minutos de uma terça-feira, e estava eu feito um retardado procurando em todos os cantos do meu trabalho uma sacola de loja popular para poder enfiar minhas tralhas, e encontrei uma jogada no canto, dentro dela coloquei camisa, calça e esperança, deixei de fora apenas à coragem para seguir rumo a minha casa.

Por sorte na saída consegui uma carona e cheguei até minha casa a tempo de ver o final do ultimo bloco no Jornal Nacional. Sem dar muita importância ao noticiário corri pra cozinha e vi que nada tinha para comer a não ser um arroz novo, porém queimado, e um feijão velho, porém quente. Diante tanta opção optei por nenhuma. Quis apenas o rivotril que havia furtado do meu avô na noite anterior, mas tamanho cansaço não foi necessário tomá-lo.

Por hora tomei só metade, pois infelizmente teria que acordar às seis horas e quarenta e cinco minutos da manhã do dia seguinte e se caso tomasse um inteiro iria dormir antes mesmo de sonhar e só Deus sabe quando acordar. Do trajeto da cozinha para o quarto, passando pela sala e trocando meia dúzia de palavras com minha mãe meus olhos já balançaram, era o sono vindo. Que sensação maravilhosa, era quase um orgasmo, era um êxtase, só queria minha cama e minha coberta quentinha para apagar, fechar os olhos e me entregar de corpo e alma aos braços de Morpheu.

Contudo repousei minha cabeça sobre o travesseiro e estranhamente ouvia na casa vizinha tocar o DVD da Maria Gadú, que, por mais que eu goste, naquele momento me irritava profundamente, pois me atrapalhava de dormir. Bloqueava meu sono, criava asas aos meus pensamentos.

Sem opção tapei os ouvidos com o travesseiro e comecei há pensar demais sobre meus dias e o porquê de tão repentinamente ter sentido que os mesmos estavam sendo irritantemente inútil. Não sabia dizer se minha frustração momentânea era devido à faculdade que está um porre, ao trabalho que está um porre ou ao namoro que apesar de tanto amor simplesmente não está. Comecei a me questionar.

Foi então misturou questionamentos, com rivotril, com o sono proveniente ao rivotril, com a fome que corroia meu estômago, com sonhos encubados pelos questionamentos e pra piorar ainda tocavam as músicas da Maria Gadú. Por fim, do nada, simplesmente apaguei. Acordei hoje às seis horas e quarenta e cinco minutos de uma quarta-feira, mas resolvi que só levantaria as sete.

@luisp89

Meros devaneios tolos

Eu tomava remédio para parar de fumar todos os dias às 7 da manhã e às 9 da noite. O médico tinha me recomendado por três meses e eu já tomava há mais de seis.

Não me sentia viciado no meu doce remédio, talvez nem em meu cigarro eu era viciado mais. Isso porque já passavam 72 horas que meu cigarro acabara e nem mesmo vendo aquele cinzeiro cheio de guimbas fedidas eu tirara minha bunda magra de cima do sofá, de frente da televisão 21 polegadas, velha, ganhada de presente do meu avô, no ano em que minha mãe morreu e meu pai me deixara para morar com uma piranha qualquer.

Eu tomava o meu doce remédio para parar de fumar, porque ele me fazia ficar acordado, acesso, não sei bem o porque. Pesquisei na internet dia desses, mas não encontrei componente nele que causasse insônia, no meu bom e grande companheiro de noite em claro.

E porque eu não queria dormir? Não sei… Talvez como diz Clarice Lispector , “ pensava antes de dormir, refletia coisas tão altas que nem vivendo todos as vidas poderia realizar seu pensamento.” No caso, o meu pensamento.

Pensava que as duas noites de sono mais tranqüilas que tive se tornavam meu maior pesadelo. A primeira a morte da minha mãe. A segunda, a fuga do meu pai com a piranha qualquer.

Teve um dia que tive uma tarde de sono, e nessa, no mês passado, meu avô foi atropelado, e morreu a caminho do hospital.

Cada hora tenho medo de dormir, no fundo o único medo que me alimenta no momento é dormir e me levarem a televisão de 21 polegadas e meu doce remédio para parar de fumar.

@luisp89

Descomplique.

“Muito tempo eu andei contra o vento, mas agora é hora e mudar… Pois o contrário de nada é nada, e assim não se sai do lugar.” Os Mutantes

por @luisp89

Apesar De Você…

A gente se ilude facilmente, ama facilmente, odeia facilmente. Tudo acontece com tanta frequência em nossas vidas. O ser humano é um bicho estranho mesmo.

Passamos anos sem uma pessoa, depois que conhecemos achamos que jamais poderiamos viver sem ela, é como algo do tipo “não sei viver sem ter você”.

Vivemos em constante evolução, somos sempre teleguiados por paixonites, e não temos culpa por nossa volúpia amorosa. Queremos ter posse, fazer com que a pessoa nos ame da mesma forma que à amamos, e não aceitamos de qualquer maneira o contrário. Ficamos nos perguntando “porque não eu?”. É dificil aceitar que ninguém é de ninguem, as vezes o que queremos jamais vai ser o que o outro quer. Mesmo que você tente agir da melhor maneira possivel para conquistar o outro isso nunca vai ser suficiente. O fato é: ele não está tão afim de você.

Adianta morrer por isso? Você morre por amor? Você ama até morrer? Eu não, amo pelo simples fato de amar. Quero uma coisa concreta e verdadeira. Inteira e legal. Sincera e duradoura.

É importante aprender a viver mesmo que o outro não lhe queira mais, e deve espalhar seu amor, sua alegria por ai. Encarar a vida com rancor só trás coisas negativas para si mesmo. É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe. O brilho nos olhos e um sorriso no rosto são as principais armas para encontrar alguem próximo ao perfeito, até porque a perfeição não existe e cada dia custo mais a aceitar isso.

Deixe livre aquele que não te quis, deixe ele voar, alcançar outros corpos pois provavelmente ele também está em busca de alguem ideal mesmo que fique vagando como vaga-lumes perdidos.

“Apesar de você,
amanhã há de ser outro dia”
Chico Buarque - Apesar de Você

por @luisp89

Grão de amor

“Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor só para nunca deixar de ser amorTati Bernardi

Quem vai dizer tchau?

Na hora em que menos esperamos, conhecemos ou reencontramos uma pessoa. Começa aquela conversa tímida, meio sem nexo, então passamos admirá-la, entusiasmamos, sentimos frio na barriga. Acabamos beijando, e beijando novamente, e nos vemos encantados por ela. Achamos que naquele exato momento encontramos a pessoa certa, que vai ser para vida toda. Mas sem ter porque, nem por razão, ou coisa outra qualquer o “pra sempre” sempre acaba.

As vezes nem tudo é tão perfeito como anteriormente. Acabamos conhecendo e nos envolvendo com uma pessoa completamente maluca, diferente de tudo que planejamos, totalmente viajada, descolada e espontânea, aquela que você tem certeza de que não tem absolutamente nada em comum, o oposto do que você é, mas mesmo assim arrisca, tenta, acha que podem juntos encontrar um equilibrio, buscar aquela afinidade e fazer valer a Lei de Coulomb que diz que os opostos se atraem e acredita que mesmo com todas as diferenças, vai ser pra sempre, e o que acontece? Mais uma vez o “pra sempre” sempre acaba.

Definitivamente, em qualquer uma das situações acima o principe sempre acaba virando sapo. O que era fofo acaba ficando idiota, o que era engraçado já tem um tempo que está pra lá de monótono. E o pior, você percebe que a cada dia que passa estão mais distantes, como quase dois estranhos um para o outro, mesmo que você ou o parceiro não queiram, mesmo que tudo que vocês mais quisessem era estar bem, um ao lado do outro, mesmo contra a vontade, mas por algum motivo, seja ele tédio, rotina, falta de companheirismo, cumplicidade ou sinceridade, de fato perdeu toda aquela magia. Chegou a hora de saber, quem vai dizer tchau?

“Somos se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais…”
Nando Reis - Quem Vai Dizer Tchau?

por @luisp89